domingo, setembro 14, 2014

Interrupção por tempo indeterminado (mas longo)

Há já algum tempo que pretendia escrever este artigo, embora houvesse evitado fazê-lo até agora; porém, o facto é que os meus leitores merecem-me esta explicação, a qual não pode mais ser adiada.
É óbvio para todos os que visitam este espaço que há muito deixei de actualizá-lo com um nível mínimo de assiduidade e regularidade admissíveis. Tal não sucede por acaso: correntemente, o acto de escrever tornou-se-me penosíssimo, havendo perdido o ânimo para concretizá-lo de que beneficiei - melhor ou pior - nos últimos dez anos. Por isso, neste momento, confesso-o, sinto necessidade de interromper o trabalho aqui desenvolvido, ao menos por um tempo razoavelmente longo.
Não poucos factores contribuíram para esta minha situação de enorme desânimo e sensação de grande desencantamento. Passo a enunciá-los: o bloqueio total e selvagem que a aplicação do Motu Proprio “Summorum Pontificum” sofreu em Portugal; o golpe brutal da abdicação do Papa Bento XVI; a proibição dos Franciscanos da Imaculada de celebrarem a Missa Tradicional de rito latino-gregoriano, com o consequente fim da Missa que oficiavam em Fátima, o que me perturbou espiritualmente não pouco; enfim, a notória desorganização e falta de militância empenhada do campo tradicionalista também em Portugal. Num plano mais pessoal, ajudaram  também muito a este estado de coisas, a doença grave e o falecimento de um familiar próximo e querido - a minha Mãe, e uma vida profissional com um grau de exigência impiedosa que me priva de todo o tempo necessário para que um blogue com estas características possa ser mantido com um grau de qualidade aceitável perante os leitores.
Por todos estes motivos, como já disse, interrompo por tempo indeterminado o meu trabalho neste espaço. Não digo que não o volte a fazer, mas por ora não (de resto, o que eu aqui escrevia, outros escreviam-no e escrevem-no com muito mais qualidade, por exemplo, no “Rorate-Caeli”, no “Fratresin Unum”, no “Panorama Católico”, no “Caminante” ou no “InfoCaotica”). Ao Rafael, deixo-lhe a liberdade de manter a sua inestimável colaboração com esta “Casa”, aqui podendo continuar a publicar, caso o queira e deseje, os seus sempre magníficos e acutilantes artigos.
Por mim, termino, agradecendo a todos aqueles que foram meus leitores ao longos destes anos, pelo tempo e atenção que me dispensaram e dedicaram, o que me honrou muitíssimo.
Enfim, faço apenas mais um voto: que Deus e a Sua Mãe continuem a proteger a tradição católica por esse mundo fora!

domingo, setembro 07, 2014

Tradiciones traicionadas


El original se encuentra en el XLSemanal, suplemento dominical del periódico español ABC, más concretamente aquí. Sabrosísimo y enjundioso. Más allá del fenomenal dominio del idioma castellano que de Prada tiene, hay mucho de fondo que no me resisto a compartir con Vds.
Que lo disfruten (y lo reflexionen) tanto como yo. 

(RCS) 

He leído que en un pueblo riojano se ha celebrado un encierro de... ¡bisontes americanos! Y he sentido mucha lástima por las gentes de ese pueblo riojano, lástima por tantos pueblos españoles que han traicionado sus tradiciones y luego las han suplantado por sucedáneos paródicos y denigrantes, lástima de vivir en un tiempo oprobioso que ha hecho de nosotros pobres lacayos de modas adventicias y efímeras, sometidos al capricho extranjero, a la colonización idiotizante de los mass media y a la tiranía de nuestras propias pulsiones desnortadas, que hoy quieren participar en un encierro de bisontes y mañana tal vez de renos (¡con los mozos disfrazados como el fantoche navideño llamado Santa Claus, oiga!). Escribía Saint-Exupéry que solo una filosofía del arraigo, al vincular al hombre a su familia, a su oficio y a su patria, lo protege contra el abismo del espacio; y que solo la adhesión a unos ritos y tradiciones lo protege contra la erosión del tiempo. Perdido este sentido del arraigo, nos convertimos en zascandiles arrojados al basurero de la historia que organizan encierros de bisontes.
Si los pueblos españoles abandonan sus formas de vida ligadas al cultivo de la tierra y la crianza del ganado, es natural que sus mozos dejen de ver en el toro bravo una fuerza de la naturaleza frente a la cual desean probarse; y el tiempo que antes dedicaban a las faenas agrícolas y ganaderas (que han abandonado gracias al soborno de la Unión Europea) lo dedican ahora a vivir enchufados al televisor, donde de vez en cuando, mientras zapean como zombis lobotomizados, ven una película de Kevin Costner con una estampida de bisontes. Y como su alma guarda todavía una reminiscencia o nostalgia de las tradiciones ancestrales, aunque sea una nostalgia aturdida por el ruido entontecedor de las modas extranjeras y los mass media, esos mozos concebirán, inevitablemente, la delirante idea de organizar un encierro de bisontes, que para entonces les resultarán unos bichos casi tan exóticos como los toros.
El apego a las tradiciones, al crear lazos entre los hombres, forma pueblos fuertes, inexpugnables al saqueo material y moral; y de estos pueblos hondamente vinculados nacen las personalidades más fuertes y diversas. Los pueblos sin tradiciones, en cambio, están abocados a la soledad más hosca, que es la que a la vez que predica el individualismo conduce a la masificación; y de estos pueblos, inermes ante los expolios morales y materiales, solo brotan personalidades flojas y mostrencas, debilitadas por la obsesión de independencia y libertad, que sin embargo acaban haciendo invariablemente las mismas gilipolleces gregarias. Por eso las sociedades sin tradición son, paradójicamente, el paraíso de la estadística: porque allá donde no hay tradiciones (que son el cauce por el que fluye nuestra personal originalidad), el comportamiento de las gentes, aparentemente errático, es sin embargo fácilmente previsible, casi automático. Pero quienes nos desean ver convertidos en masa solitaria, reducida a la esclavitud, no nos arrebatan abruptamente nuestras tradiciones (por temor a que la reminiscencia o nostalgia que anida en nuestras almas nos empuje a la rebelión), sino que se divierten entregándonos sucedáneos paródicos que, a la vez que actúan como placebos de nuestro dolor, a ellos les permiten divertirse cruelmente a nuestra costa, viéndonos cultivar aficiones y hábitos chuscos y estrambóticos.
Nada complace más a quienes nos quieren reducir a masa solitaria que vernos organizar encierros de bisontes, después de que hayamos olvidado la crianza del toro bravo. Nada les complace más que vernos comer (¡relamiéndonos!) una birria ferranadrianesca cocinada con nitrógeno líquido, después de que hayamos olvidado cocinar (¡y hasta saborear!) unas sopas de ajo. Nada les complace más que vernos bailar espasmódicamente con una putilla empastillada a la que no conocemos de nada en una discoteca, después de que nos hayamos olvidado de bailar un chotis con nuestra vecinita en las verbenas. Nada les complace más que vernos cantar en misa canciones guitarreras y oligofrénicas, después de que nos hayamos olvidado del canto litúrgico. Nada les complace más que brindarnos consejo en la elección de novia a través de una agencia de contactos de interné, después de que hayamos renegado del consejo de nuestra madre.
Así nos quieren: despojados de nuestras tradiciones, reducidos a un gurruño humanoide que se revuelca complacido en sus deyecciones, alimentado con sucedáneos paródicos, sórdidos o irrisorios. Convertidos en rebaño, en chusma, en piara a la que, además, cobran por el suministro de sucedáneos.

Juan Manuel de Prada

terça-feira, julho 22, 2014

Sobre a obra de Francisco Costa

Uma vez mais, regresso da leitura de Francisco Costa: concluí há não muito a trilogia “Em Busca do Amor Perdido”, composta por “Acorde Imperfeito”, “Nocturno Agitado” e “Cântico em Tom Maior”, já só me faltando ler “Promontório Agreste” para fazer o pleno da obra romanesca deste autor.
De facto, Francisco Costa é uma grande figura esquecida da literatura portuguesa do século XX. Entre nós, julgo não ter paralelo a mestria com que este autor domina as suas personagens, as quais se vão cruzando e interagindo umas com as outras ao longo dos seus romances, num processo estilístico de que na nossa literatura apenas Joaquim Paço d’Arcos se conseguiu aproximar, em muito menor grau, no conjunto de trabalhos que constituem as “Crónicas da Vida Lisboeta”.
Só pelo supra exposto, Francisco Costa mereceria ser redescoberto ou, ao menos, reconsiderado na história literária contemporânea portuguesa, ainda que a sua obra possa porventura ser pouco apelativa à generalidade do público leitor dos nossos dias.
Na verdade, trata-se de um romancista eminentemente católico, que retrata nos seus trabalhos, nas suas personagens, os dramas de vidas e consciências divididas entre a tentação do pecado e o apelo da fé católica, dilema que contemporaneamente, num tempo em que a noção de pecado se esbateu quase por completo, continuará a dizer algo apenas à minoria que se reclama do tradicionalismo católico.
De igual modo, também os bons e ortodoxos sacerdotes católicos por ele descritos têm um estilo que há muito se desvaneceu no turbilhão da revolução pós-conciliar, e que actualmente subsiste tão-só na Fraternidade Sacerdotal de São Pio X e, quiçá, em algumas comunidades tradicionalistas integrantes da “Ecclesia Dei”, mas jamais na média do clero diocesano comum.
Em resumo: a obra de Francisco Costa, sem prejuízo da sua grandeza estética, é susceptível de ser desfrutada em pleno somente por quem tiver um razoável conhecimento teórico-prático do catolicismo tradicional, circunstância que atira essa obra, como já o escrevi antes, para as mãos de uma pequena minoria. E, desta maneira, alcança-se que o desinteresse hodierno pelo romance católico e a subsequente derrocada deste é também uma das muitas manifestações da derrocada mais lata da religião pós-conciliar.

sexta-feira, junho 27, 2014

Una raza del demonio


Me topé con un artículo muy interesante sobre la esclavitud (en el sentido literal, no sólo en el político-económico) que los ingleses impusieron a los irlandeses. Si bucean en el hiperenlace verán cómo estos ingleses califican a los irlandeses, “irlandés-ibéricos” (literal), y verán qué concepción tenían (y en buena parte siguen teniendo) de ellos. “Irlandés-ibéricos” a los que tachan de inferiores, como los negros. Esta esclavitud comenzó en el siglo XVII, cuando el protestantismo ya había prendido bien en Gran Bretaña. Semejante porquería vertida sobre los “irlandés-ibéricos” sólo puede ser generada por puercos de la peor especie.
Bajo capa racista lo que verdaderamente esconden es un odio profundo y enquistado contra la Fe Católica. Aniquilada la religión, materia de estos últimos 200 años, sigue quedando el racismo asqueroso donde ellos nos consideran, a los celtas católicos y a los celtíberos también católicos razas inferiores, de mierda.
No entiendo la estúpida admiración de algunos de mis hispánicos paisanos (lusitanos y no-lusitanos) tienen por estos “anglo-teutones”, como ellos mismos se denominan, quizás más escorados los portugueses hacia los anglos y los españoles algo más hacia los teutones. Estas razas han sido las razas de la Revolución por excelencia, y por encima de cualesquiera otras. Allí se cocinó el Protestantismo y allí se urdió la Ilustración (la Aufklärung, la maldita Aufklärung, de Lessing, Semier y Wolff, precedidos por Leibniz) y la Revolución Francesa, donde –por cierto- hubo mucho más transvase de Londres a París del que se suele explicar en los manuales de historia. Ellos destrozaron la Filosofía con sus idealismos, sus nominalismos y sus utilitarismos. Ellos rompieron la Cristiandad, privándola de Gracia.
Soy muy deudor de lo británico por muchas razones personales, y no lo oculto ni quiero ser desagradecido. Sin Chesterton no sería lo que soy como persona, y a él debo mucho, muchísimo; como debo mucho a Belloc y al Padre Vincent McNabb. En Inglaterra nació el distributismo, doctrina económica en la que a medida que me voy llenando de años y de canas, más veo como la posibilidad más sólida de orden económico cuando el Juicio de las Naciones concluya la merecida purga que este Novus Ordo requiere. Y en la vieja provincia romana de la Britania, también, nació el Cardenal John Henry Newman, que se ha convertido en uno de mis referentes en estos últimos años. No voy a ser desagradecido a los británicos ni voy a hacerme el harakiri personal, pues mucho he bebido de estos católicos ingleses, y en menor medida –pero también relevante- de algunos católicos norteamericanos, como Orestes Brownson, por sólo citar uno. Y no hablemos en literatura, pues ahí mi sesgo anglosajón es total.
Pero tampoco puede uno olvidarse de los hechos históricos protagonizados por los “anglo-teutones”. Ellos, tan puros y rubios, tan altos y con los ojos tan azules, siempre contra lo “irlandés-ibérico”, sinónimo para ellos de Catolicidad. Ahí están los condados del norte de Eire invadidos y sojuzgados por los “anglo-teutones”. Ahí siguen estando Gibraltar y Malvinas, las Guyanitas y los Belizitos. Ahí dejaron testimonio con el vergonzoso Methuen, trato por lo demás habitual en ellos a un supuesto aliado (digo supuesto, porque ellos no tienen ningún aliado y su único supuesto son sus intereses, generalmente con sucursal en las zahúrdas de Plutón). Ahí registra la historia los ataques a La Coruña, Faro, las Canarias, Cartagena de Indias, o Menorca. Ahí su idolatría de un pirata satanista, como era Francis Drake, epígono de sus actividades favoritas que hoy no hacen con pata de palo y garfio, pero siguen ejecutando con trajes de Armani en la City. Ahí quedó su torpedeo a la Cristiandad: el sabotaje del Imperio portugués y la destrucción del Imperio español, por ellos llevados a cabo. Ahí dieron testimonio el genocidio cultural llevado a cabo por los “anglo-teutones” americanos en Filipinas o su usurpación y destrucción de México. Ahí la correspondencia epistolar entre la Reina Victoria y ese asqueroso de Bismarck, gurú de la Kulturkampf anticatólica, siempre conspirando contra la Catolicidad.
La lista es increíblemente larga pero siempre tienen los “anglo-teutones” un mismo y único hilo conductor: destruir la Catolicidad.
Cada día estoy más convencido de que los anglosajones (de ambos lados del Atlántico) son una raza del demonio. Son la raza par excellence, como dijo el Padre Leonardo Castellani, del V Imperio, el del Anticristo. El de Satanás.
Lo que pasa que mi visión no es ni racial ni racialista, conceptos en los que creo poco o nada como vertebradores de sociedades y de Patrias. Como mi cosmovisión es católica no creo ni en lo de razas de mierda ni en lo de razas inferiores (que en todo caso, visto lo visto, serían los “anglo-teutones”, no los “irlandés-ibéricos”). Esa misma cosmovisión católica me sustenta en la profunda convicción, hasta los más leales servidores de Su Majestad y de su Satánica Majestad, se pueden redimir. En eso espero y en eso confío. En profecías como las del Santo Cura de Ars, que vio una Inglaterra ya sin poder mundano, pero convertida en una isla de santidad y de sabiduría, plagada de nuevo de Monasterios y de centros de saber.
Esa es la Inglaterra que amo: la Inglaterra católica. Aquella Inglaterra medieval profundamente monástica. La otra, la protestante, y todos sus epifenómenos y derivativos, es detestable y por sus obras –y sus escritos- se la conoce. Si todos en mayor o menor medida somos culpables del desaguisado y profundísima crisis global que nos afecta, los “anglo-teutones” más que ninguno, y a ellos les corresponde ese triste puesto de honor en el Infierno.
Dios quiera que su conversión les baje estas ínfulas tan estúpidas como plenas del pecado de pecado, de soberbia, en esa variante pelotudita de la superioridad racial. Su historia contemporánea, más allá de los éxitos materiales a menudo construidos sobre el expolio y el asesinato en masa, es nauseabundamente sulfurosa. Si no se convierten su lugar por antonomasia es cierto lago de azufre mencionado en las Sagradas Escrituras. Allí, seguro, se van a sentir en casa de su padre, el verdadero dueño del V Imperio.
Los “irlandés-ibéricos”, por el momento, y también tras el Juicio de las Naciones, tenemos intenciones de quedarnos en este valle de lágrimas. Con nuestros Douros, nuestros Toros y nuestras Guinness. Con nuestro Rosario. Con nuestro arte maravilloso. Y mirando hacia Cristo Rey, Nuestro Señor, mientras rogamos a la Santísima Virgen María que interceda por nosotros … y por ellos. Para que se conviertan, claro está. Y para que abjuren de esas barbaridades contra los “irlandés-ibéricos”.
Y esperando el Cielo, Patria definitiva, que nos parece un sitio un poco más agradable que el del lago de azufre al que los secuaces del V Imperio tanto parecen aspirar.

Rafael Castela Santos

domingo, junho 22, 2014

A vueltas con la … ¿Monarquía?


La reciente abdicación de Juan Carlos I, el Jefe del Estado español, al que los carlistas no reconocen como legítimo Rey, ha dado mucho que hablar dentro y allende las fronteras españolas. Abdicación, por lo demás, deleznable en fondo y forma; como la que ha hiciera el cobardón de Alfonso XIII, abuelo del ya anterior Jefe del Estado Español. De casta le viene al galgo.
Por más que la propaganda quiera vestirlo, el Rey se va desnudo. El “Reinado” de Juan Carlos de Puigmoltó, alias Juan Carlos I de Borbón, ha constituido uno de los periodos más tristes de la historia de España. Como su antepasado Fernando VII, él ha demostrado dotes avanzadas en el comportamiento felón y traidor. Sirva recordar que el susodicho anterior Jefe del Estado español fue el que firmó la ley del aborto, el que no se opuso al divorcio, el que firmó las aberraciones inspiradas en la ideología de género, el que descaradamente favoreció a los internacional-socialistas del PSOE (y sus secuelas), el que nada hizo por evitar la balcanización de España, el que se enfrascó en sucios negocios de tal calibre que muchos de sus mejores amigos acabaron en la cárcel y otros escaparon por las maniobras político-jurídicas al uso o el escándalo de su vida privada, de sobra conocida. Abdicó en el peor momento posible, poniendo a la Patria española, a la que decía y dice servir (sic), a los pies de los caballos en un momento. Por no hablar de otros temas, como su siniestra participación en el supuesto golpe de Estado del 23F de 1981 (les recomiendo efusivamente el libro de Jesús Palacios sobre este tema).
Ahora la “Monarquía”, de manos del actual Jefe del Estado, al que llaman Felipe VI, se vuelve laica. De hecho ya lo era con Juan Carlos, el exJefe del Estado. Y de hecho, si cabe, ya se veía que lo iba a ser mucho más. No es que se vuelva laica: ¡se vuelve más laica aún!
Es cierto que Miles y un servidor hemos arrinconado mucho la pluma en estos últimos tres años, pero cuando miro atrás a cosas que escribimos, me produce cierta sorpresa, triste sorpresa, que algunos de nuestros planteamientos escritos hace años se vuelven más rabiosamente actuales que nunca. Esta denuncia de la “Monarquía” laica ya había sido anticipada en A Casa de Sarto hace ya diez años.
Se cumple así el dictum de ese insigne pensador español, Gonzalo Fernández de la Mora, quien calificaba al actual sistema la II Restauración, continuación de la así llamada Restauración decimonónica. Uno de los periodos más bajos de España en toda su historia, y casi sin duda el más bajo de la historia contemporánea.
A España no le queda otra que ser católica si quiere sobrevivir. Sirva decir, como ejemplo, que la unidad política española no es otra que la unidad católica. No hay otra. Es lógico pues la implosión en un país secularizado y es notorio que las dos regiones donde más ha caído la práctica religiosa, como Cataluña y las Vascongadas, parezcan ser las que más fervientemente quieren rasgar la unidad española. Se podrían citar otros ejemplos, pero sobra con éste.
Es evidente que no quiere sobrevivir a día de hoy y es lícito preguntarse si, como la sal que ya no sala, debe ser arrojada. Es lícito preguntarse si España no será una de esas naciones que será aniquilada en el Castigo inminente que ya se viene, en ese Juicio de las Naciones cuyos aperitivos estamos ya ingiriendo. Porque España es posiblemente la nación más apóstata del mundo. Contra natura, pero así es. Y en esa apostasía ha tenido un rol fundamental el descendiente de Puigmoltó, el conocido como Juan Carlos I. Y todo apunta a que este rol apóstata se va a magnificar con su vástago Felipe VI.
Se cumplirá pues el destino de la malhadada Casa de los Borbones, el que profetizare Don Juan Donoso Cortés:

El destino de la Casa de Borbón es fomentar las revoluciones y morir en sus manos.”

Este nuevo Jefe del Estado y su Señora se creen alguien. Ya caerán. Como tantos otros. A la destrucción del Altar, ya prácticamente completada, se sigue la destrucción del Trono, siquiera sea como elemento decorativo. El oxímoron es que quien se sienta en el Trono, incluso si es usurpándolo, colabore activamente en anegar al Altar aunque en ello le vaya el puesto … ¡y hasta la vida!

Rafael Castela Santos


sábado, junho 14, 2014

Making Gay Okay

Um livro de recomendadíssima leitura, este “Making Gay Okay”, publicado pela “Ignatius Press”, uma editora que é a prova de que nem tudo está perdido na outrora gloriosa Companhia de Jesus.

Brilhante: da solidão e dos bons livros

 
Por isso, diz o ditado: Homo solus, aut Deus, aut bestia. O homem que está só, ou se faz semelhante a Deus, ou a um animal; porque ou ocupa o coração com a presença de Deus em actos pios e meditações santas, e então recebe muito de Deus; ou se deixa levar da natureza, cuidando em coisas inúteis ou perversas, e então se parece com os animais, que ociosos criam malícia. Porém, não entendo que está solitário o homem que estiver com bons livros, porque isto é o mesmo que conversar mudamente com os Varões Santos, ou doutos e discretos, que os compuseram.
Padre Manuel Bernardes, in “Nova Floresta”, Tomo I, São Paulo, Editora Anchieta, 1945, página 219.

Dez perguntas sobre os Franciscanos da Imaculada


Aqui ficam dez perguntas ao Cardeal Braz de Aviz sobre os Franciscanos da Imaculada, feitas originalmente por um conjunto de páginas e blogues católicos tradicionais italianos. Subscrevo-as integralmente, com o pequeno senão de que as faria antes a quem directamente permite que esse Cardeal aja assim neste assunto.

Estado de espírito...



…ao longo de um mês Maio todo ele cinzento e chuvoso (tendência que ameaçou prolongar-se  para Junho), bem traduzido pelo som da genial Sonata nº 2 para violino, do grande Luís de Freitas Branco, que ainda por cima tinha o bom gosto de ser monárquico e integralista. Com a chegada do calor, está na hora de passar à audição da Suite Alentejana nº 2, de autoria do mesmo mestre.

terça-feira, maio 13, 2014

13 de Maio

 
Quereis, fiéis cristãos, achar a Cristo? Não vos canseis em O buscar debalde em outra, ou por outra parte, buscai-O onde estiver sua Mãe, e achá-Lo-eis infalivelmente. Para prova desta saborosíssima verdade, tomando a água em sua própria fonte, é tão certa, tão natural, e tão inseparável a união com que o Filho de Deus, e da Virgem se acham sempre juntos, que antes de a Mãe ser, já estava com o Filho; e antes de o Filho ser, já estava com a Mãe. Quando o Verbo Eterno desde o princípio sem princípio de sua eternidade traçava, e desenhava a fábrica deste mundo, e suas partes, diz a Virgem Maria que ela estava compondo tudo com ele: Cum eo eram cuncta componens. E quando o Anjo São Gabriel veio anunciar à mesma Virgem a Encarnação do mesmo Verbo, nas palavras com que deu princípio à sua embaixada, disse que já o Senhor estava com ela: Ave, gratia plena, Dominus tecum. Pois se no princípio da eternidade ainda não era a Mãe, e antes da Encarnação ainda não era o Filho, como já então a Mãe estava com o Filho, cum eo eram, e como já então o Filho estava com a Mãe: Dominus tecum? Porque é tão certa, tão natural, e tão inseparável esta união, ou modo de presença com que o Filho está sempre com a Mãe, e a Mãe com o Filho, que ambos antes de nascerem, nem serem, já estavam juntos.

Padre António Vieira, in “Sermão na Madrugada da Ressurreição” pregado em Belém do Grão-Pará

 

sexta-feira, abril 25, 2014

Carta abierta a La honda de David sobre Juan Pablo II


Muy querido en Cristo “hondero de David”:

Permíteme, por favor, que te escriba públicamente. No con ánimo de crítica, ni tampoco polémico, sino con ánimo de intentar traer algo de paz a tu atribulado corazón. Y si esto lo hago público es no sólo porque te veo muy preocupado por el tema de la canonización de Juan Pablo II, sino porque creo que hay muchas personas a las que este tema les resta paz y les consume (¡… y no sin buenas razones!). Dicho esto, agradezco que tomes la pluma de nuevo. Se te echaba de menos por las tierras virtuales de la blogosfera, y siempre he apreciado y valorado mucho tus escritos, incluso desde la discrepancia a veces. Este es un tema que tú has abordado en varias entradas de tu blog.
Una reciente conversación con un sólido Sacerdote, portador de un alma sacerdotal ejemplar, me ayudó a comprender ciertos extremos que me resisto a no compartir contigo y con algunos fieles lectores.
Creo que coincidimos en la opinión que nos merece Juan Pablo II. No podemos tener simpatía alguna por el ecumenismo salvaje, por momentos abiertamente sacrílego, que este Pontífice exhibió y propagó. Coincidimos que no es compatible el ecumenismo con la Doctrina de Cristo, la que se enseñó siempre. Profundizó él en este socavamiento tremendo de la Iglesia, expresado mejor que nada quizás en la adulteración de la Misa, muchos de los cambios por él introducidos en el Derecho Canónico, las traducciones que Juan Pablo II impulsó de la Biblia o el mismo [Nuevo] Catecismo, tan criticable en tantos aspectos, por sólo citar algunas tropelías.
San Vicente de Lerins daba como piedra de toque en su Conmonitorio aquello de «quod ubique, quod semper, quod ob omnibus creditum est». Evidentemente, salvo que se quiera ser ciego, Juan Pablo II se apartó en ocasiones de lo que siempre, en todos los lugares y por todos se creyó. A fin de cuentas la Tradición, ¿qué otra cosa es si no?, es la solución sin continuidad alguna que nos une a Cristo y sus Apóstoles, al Depósito de la Fe, prístino y sin adulteraciones. Depósito al cual ése quien pareciera que, irremisiblemente, va a ser canonizado, no le fue fiel algunas veces.
Sin embargo no se podrá negar que el tiro que casi le cuesta la vida en una fecha tan significativa como el 13 de Mayo le hubiera hecho mártir. Y, por ende, Santo. A él le dispararon por ser el Vicario de Cristo en la Tierra, no por otra cosa. Tampoco te negaré que de lo poquito que me reconcilió algo (admito que no del todo) con Juan Pablo II fue su teología de la enfermedad, escrita desde el sufrimiento y, posiblemente, verdaderamente escrita por él. Porque tenía –reconozcámoslo- unos “negros” que le escribían sus discursos y sus textos que eran verdaderamente infumables, aunque se probaron muy terapéuticos con personas que padecían graves trastornos del sueño. Insisto, no obstante, en lo cerquita que este hombre estuvo del martirio puro y duro.
Mi punto es que la infalibilidad de la canonización sólo garantiza que esté en el Cielo (Dios bien puede haber permitido un Purgatorio comprimido, de más intensidad, por ejemplo … convengamos que al Rey del Tiempo esto le es posible, por más que no debe de ser particularmente cómodo para quien lo padece). Cierto que hay discrepancias teológicas en las implicaciones de la canonización, como se desprende de la lectura de probos varones doctos en Teología y de no pocos Santos que abordaron este tema, pero insisto que sólo podemos afirmar con absoluta certeza que la canonización, en lo que de infalible tiene, sólo nos dice que tal Santo, o tal persona canonizada, está en los Cielos.
Entre estas discrepancias –no resueltas, y sobre las que la Iglesia tampoco se ha pronunciado dogmáticamente- está si el sujeto canonizado es un modelo a seguir. Esto habría que explicarlomás en detalle, pero no quiero alargar innecesariamente esta carta, que tiene un propósito más humilde que el de aclarar dificultades teológicas. Quedémonos en un planteamiento de mínimos: no es absolutamente cierto que todo Santo sea un modelo a seguir, al menos en todas sus conductas. En el caso concreto de Juan Pablo II si hubiera que decir en lo modélicamente que aceptó la cruz del terrible Parkinson que le afligió al final de su vida, yo diría que sí; pero si las aberraciones que cometió en los encuentros ecuménicos de Asís son modélicas, evidentemente no. Hay muchos Santos con más contraejemplos en sus vidas que con ejemplos edificantes.
Menos aún se puede sostener que la canonización canoniza su Pontificado. Ahí está el ejemplo de San Pedro Celestino, un pésimo Papa, pero Santo a fin de cuentas. Dante Alighieri, que lo tenía más cerca, no tuvo empacho en meterle en el Infierno. Y creo que en algún lugar más profundo si del Dante hubiera dependido. Yo, literariamente, me hubiera conformado con dejar algún tiempo más a Juan Pablo II en el Purgatorio. Eso sí, un Purgatorio no acelerado ni comprimido. 
De otro lado, y como addenda, se me antoja también que hubo canonizaciones “dudosas”, como la del Padre Rosmini, que no conllevaron tantos ríos de tinta en las filas tradicionalistas, como hubiera sido de esperar. No iremos a decir que Rosmini no jugó peligrosamente con peligrosas filosofías que extrapolaba a asuntos teológicos. León XIII condenó más de cien proposiciones de Rosmini, y no está entre las mejores contribuciones de Juan Pablo II el haberle rehabilitado, por cierto. ¿Por qué tanto ruido con Juan Pablo II, en menor medida con Juan XXIII o Pablo VI, menos aún con Escrivá de Balaguer y prácticamente nada con Rosmini? Y se podrían citar otros.
La infalibilidad de las canonizaciones no es un dogma de Fe. Vamos a ver en qué quedan, en los siglos venideros, estos Santos del momento, tan oportunos para infalibilizar lo ininfalizable del misil V2, y no me refiero a la avanzada misilística germana de finales de la SGM. Tan oportunos ... ¡y tan frágiles! Ciertamente, no estoy obligado a seguir a todos los Santos ni a que ni todos, ni ninguno en particular, se convierta en parte sustancial de mi Fe. 
Más allá de los puntos hasta ahora sostenidos quiero sacar un tema más. Un tema, que considero central, en el que no profundizamos quizás suficientemente. Ni lo ponderamos en la terrible profundidad que encierra. Me refiero a algo que vivimos, y sufrimos, en estos tiempos: el Misterio de la Iniquidad. Porque verdaderamente es Misterio … ¡y bien profundo! Entiendo que, como Misterio, no permite ser aprehendido plenamente por la mera razón. Que su comprensión se nos escapa. Hay algo de numinoso en todo ello. Este Misterio de Iniquidad, azote para nuestros racionalistas tiempos, nos obliga a admitir que hay preguntas para las que no tenemos respuesta. Y, entre ellas, o yo al menos así lo tengo por tal, ¿cómo es posible que canonicen a Juan Pablo II?
Bueno, lo cierto es que si lo canonizan yo sólo estoy obligado como católico a creer que está en el Cielo. Entre tanto, aunque me cueste, acepto que hay preguntas que no tienen respuesta y que me veo un poco –salvando las distancias- con el mismo estado de ánimo que debieron tener los Apóstoles cuando desde la distancia vieran a Cristo crucificado, a quienes algunos ya sabían Dios hasta de manera tangible. Pensemos en Santiago, por ejemplo, testigo cualificado del Tabor. “¿Cómo es eso posible, cómo es posible que Dios hecho Hombre pueda ser colgado de un madero de una manera tan ignominiosa?”, tuviéronse que preguntar por fuerza.
Cristo resucitó. Pero espero que vuelva a poner orden más pronto que tarde. En su Esposa Mística. Y en este mundo tan podrido y tan necesitado de Él. Y que este Misterio de Iniquidad acabe. Para que, entre otras cosas, podamos ver claro. Y, por supuesto, para que Él reine.
Mil años. O puede que bastantes más. O quizás alguno menos. ¿Quién sabe?
Pero en esto último, seguro, sí entraría en polémica contigo. Lo que ciertamente no es el propósito de esta carta.
Que la Santísima Virgen María en sus advocaciones de Fátima, Guadalupe y el Pilar te guarden siempre. Y que te traigan Paz, en esto y en todo.
Tu seguro lector y admirador que te ruega una oración por su alma pecadora,

Rafael Castela Santos


domingo, abril 06, 2014

Santo Padre: consagre a Rusia al Inmaculado Corazón … se lo suplicamos, por amor de Dios


Coincido con el análisis reciente de Christopher Ferrara acerca de la situación rusa. Por más simpático que me caiga Putin (que me cae), por más admiración que profese a su ministro de Exteriores –Lavrov- (que se la profeso), por más razón que crea que asiste a Rusia en Siria y en Crimea (que le asiste) … todo está a un nivel meramente natural. Y todo ese problema no se arregla en el plano natural, sino en el sobrenatural. Y la clave de esa sobrenaturalización sólo la tiene el Santo Padre, a través de la Consagración de Rusia al Inmaculado Corazón en compañía de los demás Obispos del mundo, como requirió Jesucristo mismo y la Santísima Virgen. Y sin lo sobrenatural nada de lo natural puede reconducirse.
Me llegan noticias de Italia, concretamente de la Embajada de Rusia en Roma, donde parece que llamaron al Padre Gruner para hablar con él. Esto ha sido confirmado por el propio Padre Gruner, quien ha admitido esto en una circular privada a sus benefactores (no me encuentro entre ellos). No deja de ser interesante el buen tino del Servicio Exterior ruso al llamar al Padre Gruner. Lamentablemente hay muchos en Rusia para quienes la Iglesia Católica no es más que un ariete de este decrépito, ilustrado y agnóstico-ateo occidente, lo cual no pensarían a poco que conocieran la Tradición católica.
Para quien no le conozca al Padre Gruner diré que es un Sacerdote que ha acometido, y continúa haciéndolo, un apostolado ejemplar: la tarea heroica de no dejar de airear contra viento y marea el mensaje de Fátima, en particular la necesidad de la Consagración de Rusia al Inmaculado Corazón.
Las consecuencias de estar fuera de tiempo para esta Consagración, que hace más de medio siglo que se debió haber producido, puede que las paguemos en nuestras propias carnes. Y pronto. Nunca en la historia reciente, desde el final de la Segunda Guerra Mundial, estuvimos tan al borde del abismo como hoy día.
¡Por amor de Dios, Santo Padre …! ¡Por amor a los muchos cristianos inocentes que puede que tengan que lavar con su sangre los desmanes de este mundo inserto en el pecado y las negligencias incalificables de los Pastores …! ¡En evitación de males mayores y alivio del terrible Castigo que se nos viene encima …! ¡Porque puede que sea nuestra última esperanza …!
¡Consagre, por favor, se lo suplicamos humildemente, a Rusia al Inmaculado Corazón! Y en esto nos unimos a lo mismo que recientemente católicos rusos y ucranianos ya han expresado.


Rafael Castela Santos

sexta-feira, abril 04, 2014

O francisquismo antes de Francisco


Vasculhar os arquivos blogosféricos, por vezes, pode trazer-nos surpresas interessantes. Enquanto pesquisava sobre um outro assunto, deparei com este artigo, do ano de 2009, comprovativo de que já então o francisquismo estava bem entranhado, quanto à forma e ao fundo, na Igreja portuguesa. Sabendo todos nós os sucessos ocorridos na Igreja Católica no último ano, não deixa agora de ser curioso constatar como o Bispo de Viseu, D. Ilídio Leandro (bispo de muito peculiar magistério…), arremetia ao tempo contra a indissolubilidade do matrimónio católico, contra a instituição natural do casamento entendido como a união entre um homem e uma mulher, afirmando ademais - delicioso, delicioso - respeitar as opções de todas as pessoas (menos, parece-me, as dos católicos tradicionais).
De facto, a crise da Igreja Católica é eminentemente uma crise de bispos e, dentro desta, o caso específico da Igreja portuguesa e do seu episcopado é de absoluto estado de necessidade. O ano que passou só trouxe à luz do dia aquilo que muitos episcopados - entre os quais o português - pensam há largos anos, ainda que de modo não oficialmente assumido, sem prejuízo desse pensar se reflectir directamente na actuação prática dos mesmos, para desgraça de todos os fiéis que se encontram ao seu cuidado. Na verdade, o francisquismo mais não é do que o outro nome do modernismo e do progressismo. Triste, muito triste.

terça-feira, abril 01, 2014

No dia de hoje, há setenta e cinco anos

 
 
Terminava totalmente vitoriosa, com a completa claudicação do inimigo, a última grande Cruzada combatida no Ocidente.

A Primeira Missa

Na sacristia, tira a estola e a sobrepeliz, lava a ponta dos dedos numa baciazita, e começa a paramentar-se: põe nos ombros o amito puído; veste a alva de linho onde há pontéus toscos, e a renda, de dois palmos fartos, engomada, é rija como sola; cinge e ata o cordão que a segura num refego; empunha o manípulo no pulso esquerdo; cruza no peito a estola amarelecida pelos anos; enfia pela cabeça a casula de damasco branco, na última! Toma o Cálix coberto com véu branco e a quadrada bolsa dos corporais; e, abrindo difícil passagem por entre os muitos devotos que se entalam, encaminha-se para a capela-mor. Sobe os degraus do altar. Implora, contrito, a remissão dos seus pecados. Coloca o Cálix do lado do Evangelho, e, um momento recolhido, pensa comovidíssimo:
“Que gosto meus pais teriam de assistir a esta Missa-Nova, que pecados meus impediram ouvissem! Deus me perdoe e eles descansem em paz na Luz Perpétua!”
Desdobra sobre a Pedra de Ara o corporal alvíssimo; poisa nele o Cálix; ajeita o véu; faz uma sentida reverência à cruz; desce dois degraus no supedâneo, volta-se, benze-se, e logo diz, penetrado de comoção, com voz humílima:
- Introibo ad altare Dei.
Segue-se o Salmo: Judica me. Sobe. Reza. Beija a Pedra de Ara (o primeiro beijo sacerdotal da sua vida de presbítero) - quanto amor!
Lê a epístola.
O sacristãozinho muda o missal para a esquerda. Todos se erguem com ruído de botas cardadas. A meia voz, o Ministro do Senhor lê o seguimento e Evangelho de S. Lucas, referente à Anunciação. Terminada a leitura, o Dr. Gabriel Alvim, de costas para a Sacra de S. João Evangelista, no meio do silêncio intenso de ansiada expectativa, pronuncia, grave e afável:
- Cum electo, electus eris.
São palavras da Sagrada Escritura, que querem dizer: “com o puro serás puro”, ou de outra maneira: “entre gente boa, serás bom”. Portanto poderei dizer de mim para mim: serei puro, porque sei que estou com bons. Deus seja louvado!
Não sou eu que venho santificar-vos, sois vós que me santificareis. Desde já grato, felicito-me por encontrar nesta linda aldeia branca, voltada ao sol nascente, de ar limpo, entre montanhas, a mais afastada do centro desta diocese. A todos cumprimento, afirmando-lhes a minha profunda dedicação, e a todos agradeço, do fundo da alma, a maneira festiva e carinhosa como me receberam e quiseram e souberam, com muito lindas flores, adornar estes altares, e como que remoçar de alegria devota as velhas pedras desta antiquíssima igrejinha contemporânea dos nossos primeiros reis. Muito e muito obrigado.
Aquela gente, simples e sentimental, logo se sentiu invadida por uma onda de simpatia conquistadora, a qual galvanizou todos os corações. Respirava-se na atmosfera o hálito do afecto e cheirava a bem-querer.
(…)
E a missa continuou:
Pronunciado, com afirmação convicta, o Credo; saudado o povo, com cordial Dominus vobiscum; lido o Ofertório, recolhidamente; fixo o olhar, súplice e meigo, no dulcíssimo Jesus crucificado, a quem logo oferece a Hóstia branca na velha patena onde ainda há restos de brilho; deitado no Cálix um pouco de vinho e algumas gotas de água - faz a oblação. Purifica a ponta dos polegares e dos indicadores; pede as orações dos irmãos em Cristo (Orate fratres); reza as Secretas; seguem o Prefácio, o Sanctus, luminosos de alegria congratulante, e o Canon; chega, enfim, à CONSAGRAÇÃO - alma erguida ao Céu a rogar-lhe a bênção que prepara a maravilhosa Transubstanciação do pão e do vinho. O presbítero ora pela Unidade e Força da Igreja; e pelas prosperidades do Bispo daquela diocese, a quem ele, Gabriel, em particular, devia o resgate da sua alma pecadora.
CONSAGRAÇÃO!
O Pe. Gabriel, em transporte de espírito, porém maximamente sereno e forte na consciência absoluta do seu poder sacerdotal dado por Jesus, e na de ser amparado, em sua pequenez, pela fineza augusta da Graça Celeste e pela Misericórdia do Senhor, que lhe assistem, estende as mãos num gesto curvo, sobre a Hóstia e sobre o Cálix, como a apossar-se, simbolicamente, daquela divina vítima, e pronuncia baixinho - ciclo urdido de Sobrenatural - a Rogação, para além das Esferas celestes, aos Infinitos Mistérios que enchem o Espaço Infinito, que se realize, ali, naquele altar pobrinho, a Riqueza prodigiosa da Maravilha das Maravilhas: a Presença de Jesus nas espécies pão e vinho, como outrora, em terras de Israel, na última ceia do Senhor, ao instituir a Sacratíssima Eucaristia. E porque o espírito do Pe. Gabriel todo ele é agradecimento rendido à magnanimidade extremada dessa Graça àquele mísero pecador, deslumbrado e fortalecido, duas grossas lágrimas de religiosa alegria sobre-humana desceram lentas na sua face esmaltada de gratidão risonha.
Ajoelha com suma veneração. Depois, em nobre silêncio e devota pausa a servirem perfeita piedade, levanta, acima da sua cabeça tonsurada - símbolo da coroa de espinhos - primeiro, a Hóstia, em seguida, após nova prece e consagração, o Cálix, ante os fiéis prostrados em seus profundos recolhimentos, enquanto uma doente campainha rouqueja as três badaladas do “Erguer a Deus”.
Memento.
Outras orações.
Reza o Pater que Jesus criou e foi o primeiro a rezar.
Parte em metades, a Hóstia, com dedos que um dia (como isso vai longe!...) Jesus ungira, e prepara-se para a comunhão. Todo dentro de si próprio, pensa, agora, que a sua “indignidade”, lustrada de Graça, se tornou relativa “dignidade”, e igualmente, devido a essa Mercê, aquele seu Non sum dignus, amparado no Sed tantum dic verbo…, se transformou em suficiente Sum dignus.
E numa absoluta concentração do espírito, onde brilha o timbre da letícia santificada, congratulando-se com o Mundo Divino, esta alma de padre e de poeta, em colorida e sonorizada ascese, sobe da Terra ao Céu: comunga Deus.
Já se ouve, num latim cheio de silabadas, o Confiteor, na boca do rapazinho que ajuda à missa.
O Pe. Gabriel toma a píxide, de apagado oiro, com as sacrossantas partículas, as primeiras que consagrou - quanta poética religiosidade! - e distribui-as, desenhando com elas, no ar, firme e delicadamente, uma cruzinha e pronunciando com nitidez:
- Corpus Domini nostri Jesu Christi.
A mesa da comunhão está cheia de lés a lés. Esvaziada, nova fileira de gente a substitui. E mais outra e mais outra. Não tem fim! Toda a freguesia comungou: homens e mulheres, velhos e crianças.
Concluída a divina tarefa, fechado o Sacrário, reza as últimas orações. Pouco depois, o Ite, e, em seguida, o Pe. Gabriel, mão em gume, risca, religiosamente, alta e larga cruz sobre os fiéis, que, repetindo-a em si mesmos, a recebem no coração; e gente velha - aferrada a obsoleta usança - braço direito estendido, mão aberta, faz o gesto em arco, de puxar, de recolher para si, essa bênção santa lançada no ar…
Finalmente, não lendo o In principio erat Verbum, de S. João - consubstancia metafísica do Ser - mas, em S. Lucas, a parábola, doméstica, social e sobrenatural, do “Filho pródigo”, termina.
E tudo nesta Missa, em que a alma do sacerdote transportado esteve sempre presente, em que o espírito humano oficiou ao Espírito Divino, foi - nas leituras, nas orações, nas atitudes, nos gestos, nas mesuras, até nas pausas e, ainda, nos silêncios - substanciado de Unção, perfumado de Poesia.
Antero de Figueiredo, in “Non Sum Dignus”, Porto, Livraria Tavares Martins, 4ª edição, 1948, páginas 358 a 365.